Amizade
A amizade se manifesta das
mais confusas formas. Até semana passada eu podia jurar que tinha um irmão, que
somente não morava na mesma casa que eu; mesmo assim, o tempo que passávamos um
na casa do outro, ou ambos na rua, era suficiente para que qualquer um
afirmasse o mesmo, embora nunca tenhamos sido parecidos fisicamente. De um dia para o outro, porém, uma história
de meia década encontrou seu fim. Teria sido imaturidade de alguma parte? Ou o
final já estava decretado, e apenas nos negávamos a vê-lo?
Não gosto disso, mas também não vejo como poderíamos
continuar. A amizade é um relacionamento trabalhoso, pois nela há mais tolerância
que no amor – as brincadeiras idiotas são mais frequentes entre os amigos do
que com o parceiro, o que significa que algumas vezes alguém excederá o limite
do outro.
A outra característica diferencial é que a amizade
não te torna exclusividade de outra pessoa, afinal, cada indivíduo pode ter
tantos amigos como bem lhe aprouver. Apesar de o ciúme gerado por isso ser
notavelmente menor que em relações amorosas, também é notavelmente mais
constante (e para que não haja rompimentos por tal motivo, a única solução é
adquirir maturidade – ou seja, se machucando e aprendendo com a vida).
O luto é a dor da perda, e não advém apenas nas
situações de morte, não. Qualquer perda sofrida pelo ser humano exige que este
passe pelo processo de luto. Mas também não é necessário sofrer mais do que a
ocasião exija. Da mesma forma que um se foi (e talvez volte, mais cedo ou mais
tarde), outra chegou. E, se fosse uma troca, acredito que teria saído ganhando;
mas não é e, como todo ser humano egoísta, prefiro ter os dois em minha vida.
Isso porque aprendi muito observando as pessoas. A
cada dia que passa, cresce em mim a certeza de que o melhor jeito de evoluir é
agregando o que cada um tem de melhor. Para que isso funcione, portanto,
possuir uma quantidade significativa de amigos é essencial. Identificar tais
pontos positivos, por outro lado, é uma habilidade cujo aperfeiçoamento requer
treinamento e dedicação pessoais.
Pode parecer egoísmo usar as amizades para a autovalorização,
mas não é. Os melhores momentos da vida são os que se passa com os amigos. Se
todos usassem esses momentos para aprender uns com os outros, todos seriam
melhores pessoas e os bons momentos seriam melhores ainda. Amizade é
sentimento, e nesse texto pareço estar racionalizando-a, mas tal ação não entra
em atrito com o atributo sentimental das relações amistosas. Apenas corrobora
que quando se trata de relações humanas, o sentimentalismo e o racionalismo
andam juntos.
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