segunda-feira, 11 de março de 2013

Seal - Prólogo -


Prólogo

Do topo do prédio mais alto da cidade, ele vigiava. Seus olhos treinados, com ajuda de seus modernos equipamentos, vasculhavam cada beco escuro e nojento de Sunset Mountain.

Enquanto sinais de violência e desordem não eram captados, Seal perguntava-se como seu antigo paraíso se tornara este reduto de lixo, miséria e prostituição. Sunset Mountain fora, há vinte anos, o destino preferido para famílias de alta e média renda passar as férias durante o verão. Cercada por montanhas e lagos e algumas outras maravilhas da natureza, sua fama atraía desde estudantes colegiais dispostos a aproveitar a viagem com as inocentes garotas nativas até especialistas em botânica interessados em estudar a flora do lugar.

Hoje, concluiu ele sem humor, os lagos viraram depósitos de dejetos, as montanhas estão apinhadas de hotéis, restaurantes e acampamentos de aventura, as plantas e flores existem somente nos vasos dos habitantes mais idosos e uma das inocentes garotas nativas de duas décadas atrás era exatamente a prostituta que ele iria salvar de um estupro dali a trinta segundos.

“É hora de trabalhar”, pensou Seal enquanto estava em queda livre, a quase duzentos metros do chão. “É hora de salvar mais um morto-vivo que sobrevive nesse esgoto.”

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