Prólogo
Do topo do
prédio mais alto da cidade, ele vigiava. Seus olhos treinados, com ajuda de
seus modernos equipamentos, vasculhavam cada beco escuro e nojento de Sunset
Mountain.
Enquanto
sinais de violência e desordem não eram captados, Seal perguntava-se como seu
antigo paraíso se tornara este reduto de lixo, miséria e prostituição. Sunset
Mountain fora, há vinte anos, o destino preferido para famílias de alta e média
renda passar as férias durante o verão. Cercada por montanhas e lagos e algumas
outras maravilhas da natureza, sua fama atraía desde estudantes colegiais
dispostos a aproveitar a viagem com as inocentes garotas nativas até
especialistas em botânica interessados em estudar a flora do lugar.
Hoje,
concluiu ele sem humor, os lagos viraram depósitos de dejetos, as montanhas
estão apinhadas de hotéis, restaurantes e acampamentos de aventura, as plantas
e flores existem somente nos vasos dos habitantes mais idosos e uma das
inocentes garotas nativas de duas décadas atrás era exatamente a prostituta que
ele iria salvar de um estupro dali a trinta segundos.
“É hora de
trabalhar”, pensou Seal enquanto estava em queda livre, a quase duzentos metros
do chão. “É hora de salvar mais um morto-vivo que sobrevive nesse esgoto.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário