Capítulo 1 – 20 Anos Atrás
- Por favor, mãe! Não me obrigue a voltar lá!
Rud Wizenson derramava uma torrente de lágrimas nos
ombros da mãe, enquanto a abraçava com mais e mais força. Ela não sabia o que
devia fazer e decidira esperar que seu filho recuperasse a calma.
- Eu não aguento mais, mãe! Eu não aguento! – a voz
do pequeno garoto estava engrolada, e ele soluçava sem parar – Eles não me
querem na classe! Eles me bateram hoje! Eu só tô te pedindo pra me mudar de
escola! Por favor, mãe, POR FAVOR!
Judith Wizenson se compadecia do filho, mas já havia
decidido mantê-lo naquele colégio até o final do ano muito antes do primeiro
pedido desesperado do menino. Ela sabia que seu filho sofreria nas mãos dos
colegas; o fato de ele ter nascido prematuramente era evidente em sua
constituição física: braços finos como gravetos, pernas ossudas com joelhos
proeminentes, um corpo raquítico vergonhoso para qualquer garoto de dez anos.
Rud era o menor aluno de sua escola, uma vez que até as garotinhas um ou dois
anos mais jovens lhe superavam em altura e robustez.
Há pouco tempo, ela cogitara a possibilidade de seu
unigênito ser anão, mas descartou essa possibilidade quando ele atingiu quase
um metro e vinte. Era minúsculo, verdade, mas ainda não passara por aquela
idade em que as crianças crescem mais, e, se crescesse até os 21 anos, como é
comum para os homens, com certeza alcançaria uma estatura digna.
Agora, no entanto, ele não parecia disposto a pensar
em seu futuro. Pelo menos não na Escola Profª Alice Smith.
O pequeno chorava silenciosamente, envergonhado de
seu descontrole de pouco tempo atrás. Judith pensou que talvez fosse esse um
bom momento para explicar-lhe o que ele precisava entender.
- Rud, meu querido – começou docemente a mãe tão
apegada ao filho que era –, você não percebe que mesmo que colocássemos você em outra escola, o problema continuaria? Na Smith ou na Jackson,
ou mesmo na Eagles, você vai continuar sendo pequenininho... pelo menos por
agora.
O garoto não esboçou nenhuma reação, além de
continuar vertendo as lágrimas silenciosas. Ela passou a lhe acariciar a cabeça,
sem saber muito bem o que devia falar, ou mesmo se seria bom romper esse
silêncio.
- A Smith é a melhor escola que nós temos por perto,
todos sabem. Se você se graduar lá será muito bom para encontrar empregos, meu
querido. Temos todos que pensar lá na frente!
Erguendo um pouco a cabeça, Rud resolveu falar:
- Mãe – disse com a voz fraca e tímida, secando as
lágrimas – como eu vou aprender alguma coisa lá se eles não me deixam em paz?
Um valentão briguento implica comigo desde o primeiro dia, e todo mundo tem
medo dele e o obedece. Mesmo quem não gosta de vê-lo me maltratando fica quieto
e não faz nada para impedir. Até mesmo os professores o respeitam.
- Quem é esse moleque?
- O nome dele é Bend Mitchel – respondeu,
estremecendo – Ou pelo menos é assim que todos o chamam.
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