quarta-feira, 10 de abril de 2013

Seal - Capítulo 8 - "Decisão"


Capítulo 8 – “Decisão”

A cabeça de Sonny Slit rodava. Definitivamente ele estava mais desesperado que qualquer uma das crianças dali – mas ele não podia deixar transparecer isso.

                - Jack, pega a chave do meu carro e traz ele aqui perto.

                - M-mas e-e-eu não sei d-diri...

                - FAZ O QUE EU MANDEI, DROGA.

                Jack Moron pegou no ar a chave do Corcel arremessada por Sonny e seguiu para o automóvel, as pernas bambas. Slit sabia que estava cometendo erros... gritar com uma criança e manda-la dirigir um carro?

                - Espera, Jack, desculpa, me devolve a chave aqui e fica do lado do Bend – disse o jovem, arrependido, levantando-se do gramado onde o sangue lentamente se espalhava. Claire estava afastada da cena de comoção, próxima ao carro. Ele chegou perto dela, ambos com os olhos lacrimejantes, e a abraçou.

                - Claire... – começou Sonny.

                - Eu sei, amor, eu sei. Vamos fazer tudo que for possível para salvar ele – soluçou a garota em seus ombros.

                - Eu conheço esse garoto desde pequeno... se ele morrer... se ele ficar com alguma sequela... eu... eu... – ele não encontrava palavras para expressar seu sentimento. Bend Mitchel sempre se espelhara nele, e ele sempre se sentira orgulhoso por isso. Eram mais parecidos entre si do que Sonny Slit e Johnny Dirty jamais seriam. O espírito de liderança e a admiração mútua eram os laços que os uniam.

                Ao sentar no banco do motorista, ele se permitiu, entre colocar a chave na ignição e engatar a primeira marcha, uma breve reflexão da cena estática a sua frente. Ao redor de Bend estavam Sophie, Mag e Jack, abaixados. Sophie e Mag seguravam as mãos do garoto e derramavam rios de lágrimas, enquanto Jack só estava próximo, vigilante, cuidadoso. Em pé, estavam Johnny, incrédulo, Max, que parecia que a qualquer momento vomitaria seu almoço, e Ned Mad, com um profundo sentimento de culpa, que todos, inclusive ele mesmo, sabiam não ser justo, mas que não seria facilmente superado. Claire permanecia longe, como se não descobrisse um modo de penetrar naquela intimidade e o que seria certo dizer para apaziguar todo aquele drama.

                O sol já havia desaparecido no horizonte, lá deixando apenas uma intensa coloração azul, e no resto do céu, um negro de poucas estrelas.

                Quando Sonny estacionou ao lado do grupo, ele avistou, contra a luz do farol do carro, o Sr. Mathews, o velho dono do Shark Roast, correndo desabaladamente para ver o que se sucedia em seus campos.

                 - O que aconteceu? Ouvi gritos lá de cima! Alguém se machucou? – perguntou a esmo.

                - Sim, Sr. Mathews, e foi grave – falou saindo do carro e apontando para Bend no chão, tentando fazer com que sua voz tremesse o mínimo possível.

                O velho cozinheiro olhou e abafou um grito de exasperação com a mão sobre a boca.

                - Meu Deus! Meu Deus! Vocês vão leva-lo a um hospital?

                - Sim, o senhor pode me ajudar a colocar ele no banco traseiro?

                - Não, espere, vou ligar para uma ambulância vir busca-lo, eu tenho um telefone na cozinha que eu quase nunca uso...

                E lá se foi o Sr. Mathews correndo de volta ao restaurante. Alguns minutos tensos se passaram, nos quais Max finalmente cedeu à pressão e lançou um jato líquido por sua boca, que atingiu a grama muito perto de onde segundos antes estivera o pé de Ned Mad. Quando o idoso voltou correndo o mais rápido que suas pernas fracas permitiam, ele não mostrava um semblante nada positivo.

                - Só haverá uma ambulância disponível daqui a uns 15 minutos. Está havendo emergências em todos os povoados hoje, a atendente me disse que nunca viu nada parecido. E eles nem garantiram que terá um leito desocupado para o menino também.

                Sonny não podia aceitar o que estava ouvindo.

                - Mas ele tem que ser atendido. E tem que ser internado! Ele tá correndo risco de morte aqui!

                Slit não percebera a aproximação da sua namorada, até que essa lhe falou em um tom resignado, como quem dá uma sugestão esperando uma interrupção ríspida.

                - Amor, o único outro vilarejo da região que tem um hospital é Bless... a gente podia levar o Bend até lá... se você concordar...

                Slit virou-se e a encarou nos olhos. Ambos sabiam no que isso implicava, embora ela não estivesse disposta a admitir. Transporta-lo para Blessed Sorrow seria sua única chance de sobrevivência – mas dirigir pela Empiric High à noite poderia condenar a todos que estivessem dentro do carro no caminho. Porém, se era necessário escolher entre uma certeza e uma possibilidade...

                - Sr. Mathews, Ned, me ajudem a coloca-lo no banco traseiro. Eu estou indo para Blessed Sorrow. Sozinho.

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